Sábado, Fevereiro 25, 2012

Que isto de comer todos os dias sopa desensabida e tostas merece uma pausa!

São raras as vezes que me apetece inventar um pouco com os tachos e dispensar tempo para estas coisas, mas hoje, e porque tento enganar o tempo e a motivação (ou falta dela) decidi que haveria mais ao jantar do que é habitual.

Vai daí inspirei-me nuns crepes que fiz há uns anos com restos de comida e que foram a única receita até hoje que me orgulho de ter feito sozinha. Na altura, não sei se era da fome ou se aquilo estava realmente saboroso mas foi o único pitéu cozinhado por mim que me soube bem.

Hoje: cozi um lombo de bacalhau em leite e desfiei-o. Reservei.
Bati 2 ovos em 125g de farinha e 2,5dl de leite com uma pitada de sal e fiz uns crepes.
Depois aqueci azeite e alho e meti uma mistura de legumes (umas saquetas com legumes variados para saltear), acrescentei uma lata de cogumelos laminados, juntei o bacalhau desfiado e temperei com tudo o que veio à mão (pimenta branca, oregãos, pimentão doce e louro) e deixei cozinhar.
Para que não fosse tudo muito saudável juntei natas e deixei apurar (ficou uma linda papa !!)
Deitei o preparado em cada um dos crepes, enrolei-os e coloquei num tabuleiro. Um pouco de molho bechamel (isso, não corras não) por cima e forno para gratinar.


E agora vou ali fazer a prova.

Pré-sono

Passo os olhos pelas notícias, talvez muita coisa tenha acontecido numa semana que eu não cheguei a saber. Muita coisa e talvez nada…ou nada suficiente para se interpor à minha rotina, dos sítios, das pessoas, das horas intermináveis no trabalho, dos prazos e dos prazos, do que é fazível e do impossível, das dores de costas que se agravam, dos óculos que perdi mesmo sabendo que devo trocar de lentes urgentemente, dos números, dos minutos em que desejo dormir para não pensar em nada, absolutamente nada.
Têm sido horas e horas a ler vidas: tudo muito deprimente e não sei como haverá algum dia espaço no mundo do trabalho para tanta gente…isto aflige-me, mais do que as notícias que não li…
Penso no que gostaria de estar a fazer agora e não estou. Penso no que poderia estar fazer mas que não me apetece. Penso no que ficou por fazer. Penso no que me obrigo a fazer, todos os dias.
Penso na rapariga dos tempos da faculdade com quem me cruzei no hipermercado e que não me reconheceu, penso em pessoas, amigos, família, colegas, conhecidos, desconhecidos, gente que nunca mais vi…
E nos espaços e nos locais e em tudo o que nos prende e desprende ao mundo, à vida, aos dias e à memória que restará deles.
Penso no sono e quando virá.

Domingo, Fevereiro 12, 2012

Dos sabores


Não resisti. Passei por vários campos cobertos deste amarelo vivo e não podia deixar de pegar nas pequenas flores amarelas e recuar ao tempo em que no caminho para a escola primária comíamos o caule destas flores.
E afinal não são tão doces quanto a minha memória tinha catalogado.

Sexta-feira, Fevereiro 10, 2012

Com o devido delay

A "pieguice" que o PM referiu terá as suas origens no fado? A Unesco que não saiba disto...
Oh povo que choras no rio acorda!!!

Eu sou piegas quando dou atenção a pormenores e a detalhes que são meus, tão meus...
Sou sensível a uma música especial, às memórias que guardo de cada pedacinho de vida que me faz sorrir, à saudade que sinto das pessoas que amo, ao que me deixa com a voz embargada seja pela mensagem, pelo conteúdo, pelo que me faz sentir no momento, aos afetos,ao mar que me lembra vezes sem fim a esperança, às mudanças bruscas que tantas vezes nos põem à prova, à estabilidade desse horizonte que está sempre ali..
Sensível a um abraço que me faz sentir segura, plena, a um beijo profundo, ao acreditar nos sonhos... sensível até ao tutano!
E choro, e lamento-me da vida que podia ser mais grata...podia, mas mesmo assim  é generosa porque é nossa e podemos fazer dela o que quisermos, podemos optar, decidir, escolher, errar e aprender.
Piegas? Talvez, neste sentido, mas com isto coexiste exigência, trabalho, pragmatismo e uma boa dose de defeitos.

Domingo, Janeiro 29, 2012

A minha praia

Continua lá, imutável no esquecimento e irreconhecível nas formas e recortes que vai assumindo devido à força das marés.
Ao longe Viana e os montes recortando o céu.
O ar muito frio não convida a ficar sentada nas pedras, mas há o mar, o rebentar das ondas. O mar que me ensinaste a admirar e a saber escutar. O mar que nunca mais será visto da mesma forma.
O mar onde sempre te vou encontrar.

Quarta-feira, Janeiro 25, 2012

Hoje

In Memoriam.

Voglio dirti #3

"A vida é como a música. Deve ser composta de ouvido, com sensibilidade e intuição, nunca por normas rígidas."
(Butler, Samuel)

Simplesmente

Doem-me os pés, os olhos, a cabeça, a alma. Um cansaço que bastaria para que caísse redonda na cama num sono profundo, não fossem as obrigações de um dia de trabalho que terminou há minutos. Fossem as tarefas aliciantes, de elevada complexidade e de uso de inteligência e eu não estaria tão pouco motivada, mas isto de preencher dezenas de avisos de recepção para cartas registadas redobra o cansaço e diminui o limite dos nervos. Um carimbo ou umas etiquetas ajudavam? Ajudavam, mas eu não ficaria a saber que estou completamente "destreinada" a "escrever à mão" e com rapidez. Longe vão os tempos em que os apontamentos nas aulas da faculdade eram tirados num código apenas perceptível por mim e melhorado com o tempo, à medida que era capaz de escrever mais rápido. Daí que a minha caligrafia nunca tenha sido constante na forma, nem uma escrita firme (isto no campo da grafologia daria pano para mangas!!!). Sempre misturei letra maiúscula com minúscula e a posição da caligrafia. A própria assinatura nunca foi igual e se me pedem uma rúbrica esta varia quantas as vezes que me esqueço como foi a primeira que "inventei".
E no meio dos papéis que me absorvem dos pensamentos e das horas que passam, oiço isto, voando nos sons como aviões de papel porque simplesmente quero fechar os olhos e pensar que não podemos ser náufragos num mar estranho.

Domingo, Janeiro 15, 2012

Desabafos, confissões e teorias

Que me perdoem todos aqueles que seguiram o apelo de boicote ao dito hipermercado. Não tenho (quero) alternativas. E digo isto porque mesmo sabendo que as outras opções existem, não me compensam.
Neste início de tarde de domingo em que se conjugam fortes variáveis para eu estar cabreada com o mundo (a saber: é domingo, estava à chover até há minutos atrás, estou em Sintra,sozinha em casa e sem vontade de mudar do sofá para a secretária), a simples refeição de uma pizza pré-feita-congelada-pré-cozinhada-ou o que seja, levou-me a pensar em pequenas banalidades financeiras e económicas.
Claro está, que em assuntos da atualidade que sejam tudo menos artigos da Lei nº 64-B/2011, de 30 de Dezembro, eu não estou informada. Não me preocupo, não ocupo tempo a pensar, a ouvir opiniões, correntes, ideias, posições porque vai tudo ter a um mesmo fim (julgo eu, são as minhas teorias). É por isso que não faço a mínima ideia de como vai a consolidação de contas do país, de como vamos alcançar a meta do défice, de como funcionam as agências de rating, não sei como funcionam negócios como os da EDP mas posso aprender rápido.Eu leio, mas parece-me tudo uma grande sopa juliana. Mas não me parece que fosse mais feliz por saber tudo isso. Nem mais realizada por saber mais de números, de política, de economia, de finanças.
Sei apenas que se não for fazer compras ao PD terei de andar mais km´s para ir a um outro hipermercado cujas políticas de emprego, económicas ou financeiras eu desconheço e posso estar a fazer compras num sítio que não paga as horas extra aos trabalhadores e se calhar aplica os lucros na conchenchina.
Isso, ou ir fazer compras ao sítio onde os produtos têm todos nomes esquisitos e cuja descrição só está disponível em grego e eu nunca fui boa a línguas e como posso saber se o atum é em óleo ou em azeite?
Ou então ir aqui ao supermercado ao pé do prédio que até era uma excelente ideia, estava a dinamizar o comércio local, mas até quando me aguentaria a pagar 2 euros pelo Kg da laranja quando posso pagar pelo mesmo 80 cêntimos?
Eu até posso aderir a campanhas de comprar produtos portugueses mesmo sabendo que os pepinos que outrora tinham uma placa de identificação de origem espanhola podem muito rapidamente passar a ter nacionalidade portuguesa. Quem me garante que aquela laranja é realmente do Algarve e não vem do Norte de África? Ceticismos à parte a pizza era realmente boa, foi barata e o sitio onde a comprei fica no caminho de casa para o trabalho.

Quinta-feira, Janeiro 05, 2012

A minha, a nossa sorte*

A minha, a nossa sorte é que 2012 chegou. É estar vivos e olhar para trás e pensar nos dias que virão. É, sem balanços ancorados na dúzia de desejos, concordar que 2011 trouxe o bom e o mau e olhar para o novo ano com uma esperança redobrada.
A minha, a nossa sorte é podermos acreditar sempre que tudo pode ser melhor, que nós próprios podemos ser melhores quando isso nos parece impossível no imediato. É fechar os olhos para pensar em alguma coisa muito boa, é a música de manhã e à tarde num caminho solitário, é o sol na serra, é imaginarmos e sonharmos com uma vida mais feliz, é voltar a escrever quando o tempo se tornar vazio e só, é sorrir mais e chorar menos, é tornar as despedidas melhores, é voar sem asas e viver sem amarras. É sonhar e sonhar. É lembrar-te.
A minha, a nossa sorte é ter um trabalho, mesmo procurando outro desesperadamente. É queixar-nos desenfreadamente dos impostos, do custo de vida, da falta de dinheiro e da crise. É procurar viver o nosso ideal, as nossas escolhas e decisões e assumir erros. É amar e sentir-nos amados.De verdade.
A minha, a nossa sorte é somar esperança, é deslumbrar-nos com o melhor que esta vida nos dá e procurar enfrentar com serenidade o que ela própria nos rouba.
A minha, a nossa sorte é avivar as memórias das derrotas e das vitórias e em tudo procurar um fio de luz.
A minha, a nossa sorte é o que quisermos em todos os dias do ano. É a nossa vontade, mas com toques de improviso, do destino e do acaso.





*De inspiração by "milhones"