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Do trail das Azenhas, todas as vezes

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Calor, muito pó, subidas intermináveis, descidas perigosas, o rio a desafiar-nos para um mergulho, quatro edições, duas que falhei, a primeira vez no trail curto e se o corpo me deixar, para o ano estou de volta.
Porque sempre que subo o monte da Guia e vejo lá do alto esta encosta castreja regresso todas as vezes a casa. Todas as vezes que parti e que não fiz nada por este lugar. 
Volto à infância e a todas as vezes que subi por estes caminhos estreitos, para ir à Capela da Senhora da Guia, todas as vezes que íamos ao mato lá para os lados dos Campelos, com o gado sofrido a subir caminhos dos quais hoje já nem sabemos o nome, todas as vezes que fui ao musgo à Cividade e à descoberta das velhas antas escondidas, todas as vezes que corri aos inícios de tarde, pelo Souto da Quinta, para os esconderijos, antes de regressar às aulas na escola Barão de Maracaná, todas as vezes que fui ao Minante tomar banho no rio sem medo da poluição, todas as vezes que atravessámos a ponte de Sebastião …

Aziúme

Começou pela manhã, no banco. Já tinha sido ontem mas como hoje tive de voltar, a história repetiu-se. 
- Tem de ir ao seu balcão, "tá" a ver? (dito a olhar meio para o computador meio para o infinito)
 Eu a ver estava, mas depois desta frase ceguei. Depois foi na loja onde se vende desde o secador de cabelo ao telemóvel. Quando me é dada a oportunidade de falar, ainda que não existisse contacto visual do outro lado, percebi que depois dali só haveria o caminho da meditação, junto ao sistema de senhas do serviço de avarias.
Depois foi, ainda, ao telefone, no que seria uma conversa normal mas que de tão azeda se mostrou que continuo sem perceber porque queremos ser tão diferentes em tudo e acabamos tão iguais (em tudo o que é péssimo, entenda-se). . Às vezes, sentimos frustração no trabalho, em casa, na vida em geral. Não gostamos do que fazemos, ou gostávamos de ter feito diferente. Não temos qualquer visibilidade, aquilo que produzimos diariamente nunca vai sair em revista…

Do clarinete para o saxofone

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A música era a "Manhã de Carnaval", naquilo que o concerto fez lembrar a Paquito. Mas nenhum de nós soube trautear a música do filme Orfeu Negro. E se nesta teríamos alguma desculpa, no Summertime foi mais escandaloso.  E no palco, setenta anos de respirar música entre o clarinete e o saxofone. E eu sempre me emociono com isto.

A Marilyn, o Lucky e ele

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Estava à porta e parecia sorrir. Imaginei-me a passear com ele, a afagar as suas brincadeiras, a descansar num jardim com ele deitado a meus pés. Ainda hei-de ter um jardim e um cão.
Chamei-lhe Lucky porque está à porta de um bar/restaurante sem que isso seja um drama, portanto, há algo de afortunado nisso.

Perguntam-me por "ele" e eu não sei quem se interpôs à foto. O meus olhos estavam no cão que sorria. O Lucky.

Três da tarde (sem o ser)

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Quando as horas não batem certo com o tempo. São quase três, mas o sol está a pôr-se. A desordem na ordem e como pensei nisto quando apontei a objectiva.

Quota de praia

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Uma semana inteira a ir pelo menos trinta minutos à praia e excedi a quota para este ano. Investimento feito nos protectores solares adequados de acordo com as maleitas de pele  e estaria tudo bem não fosse dar-se o caso de ter uma espécie de raia tatuada na coxa direita, em tons de vermelho. E o corpo mais ou menos dividido entre um bronzeado frouxo e o vermelho vivo. Penso agora como é que, outrora nas férias escolares, o tempo era dividido pelos trabalhos no campo, ao sol, desde manhã cedo até à hora de almoço e na praia durante toda a tarde. Sem protectores (um dia pagarei caro) e a deixar que no final do Verão fossemos doirados de pele a desejar novo Verão.




Jornal de domingo

Hoje é domingo e há vinte e dois anos que se compra o jornal lá em casa. Poderei dizer, um dia, que terá sido a única coisa boa que fiz por aquela casa.
O meu professor de economia do liceu, na altura, disse-me, já não sei a que propósito, que seria um bom hábito e eu convenci a minha mãe a dispensar os escudos para o Jornal de Notícias. Todos os domingos, mesmo aqueles em que não estávamos em casa. Na altura trazia-o o meu pai, da venda da Gabriela e, mais tarde, na sua ausência para sempre, trazia-o o meu irmão, da bomba de gasolina.
Ainda hoje é assim.
Com o Jornal vinha uma revista, a Notícias Magazine, cuja colecção estimável foi ganhando espaço, até ao dia em que tive de ir pôr tudo ao papelão. Comeram-se as capas pelo bolor e pela humidade da casa e não houve outro remédio. A revista acabou por ser sempre a parte preferida do jornal, tendo em conta que o JN era e é um jornal, na minha opinião, com demasiadas notícias locais votadas à desgraça.
O jornal de domingo era, no fim de…