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A mostrar mensagens de Outubro, 2014

Voglio dirti

Cinco anos desde o dia em que havia um barco atracado, uma conversa longa, uma noite mal dormida, mil perguntas, algumas respostas e a incerteza.

"Uma noite em claro estou a saber de mim
À flor da minh'alma sou princípio do fim
Quem me prendeu, quem me amou
Não cuidou de mim".

(A penumbra - Ana Moura)



(Im)probabilidades

Estar numa paragem de tram e falar em português com um polaco que viveu em Coimbra, está de partida para o Brasil e fala, pelo menos, sete idiomas, tendo vivido em quase outros tantos países.
E quando lhe perguntamos se esteve a trabalhar ou a estudar diz que esteve "apenas a viver por lá". Sim, a viver...aquilo que tantas vezes não fazemos porque a nossa vida quadrada, monótona, as nossas obrigações, rotinas, prendimentos nos impedem de fazer.
E saiu do tram, de mochila às costas e deixou-me a pensar, mais uma vez, como medimos a vida e a importância das coisas de formas tão diferentes!

Escrita

É provável que com esta idade esteja a desenvolver uma deslexia porque entender 3 tipos de teclado às vezes não é fácil.

O lago

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O lago continua a ser, para já, o meu lugar preferido na cidade.
Mesmo à noite, quando tento correr sem ver sequer um palmo à frente do meu nariz. E há pessoas sentadas nos bancos ao longo das margens e não sei o que fazem ali, se procuram o silêncio interrompido pelas aves pousadas na água ou se são marginais escondidos nos seus gorros até à cintura. São mais ou menos 6km em que circulo na escuridão, ainda que haja um colorido espelhado na água criando inúmeros pontos diferentes e a ilusão de profundidade. Estão centenas de aves pousadas na água e ainda não reuniram o completo silêncio, despertando assim a atenção para todos aqueles pontos brancos. Vejo-as porque o enorme edifício do Malta Galeria projeta luz suficiente para iluminar essa parte do caminho. E depois cruzam-se aqueles que arriscam fazer o percurso de bicicleta e iluminam o caminho com um pequeno foco de luz.
Não tenho medo de fazer este percurso à noite e isso é o mais curioso da minha estadia aqui. Bem sei que já p…

Hoje voei para...

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É realmente paz aquilo que sentimos quando somos engolidos pela beleza deste lago.

Sábado

E nunca a existência de um Carrefour me fez tão feliz!

Falhar, uma constante

Não seria o tipo de livro que procuraria para comprar mas foi-me oferecido mesmo antes de vir.

E nunca, mas nunca a nossa história, em alguns momentos, teria sido tão bem escrita. E muda-se o tempo, os locais e tudo era como previa...

"É tão simples perceber o amor"
(in Prometo Falhar, de Pedro Chagas Freitas)

Streszczenie

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Cada dia é sempre um primeiro dia, mas continuo nesta bolha sonora e nunca o valor da comunicação teve tanto significado. De resto, a chuva (quase) constante, o frio, os múltiplos entraves na procura de casa e tudo o que possam parecer dificuldades não é nada comparado com o facto de que a única coisa que sei fazer quando alguém fala comigo é sorrir.

Poczatek #3

Agora que conheço a pontualidade polaca tudo o resto é mito. Porque um agente imobiliário chegar atrasado para mostrar uma casa é motivo para o senhorio se ir embora.
Customer service para que te quero.

Poczatek #2

Equilíbrio será aquilo que vou treinar nos próximos tempos sempre que andar de tram nesta cidade.
Paciência para esperar nos semáforos vermelhos e não tentar correr mesmo que seja na passadeira, arriscando-me a ser vista por algum polícia mal disposto.

Poczatek #1

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É assim que me sinto. A (re)começar.
A tentar sorver tudo à minha volta. A cidade, as pessoas, o trabalho, a cultura. E de todos os aspetos, o maior obstáculo de todos é a língua. Em todos os sítios que já visitei, mal ou bem, consegui misturar inglês com francês, ou italiano, ou espanhol. Até algumas tentativas de alemão. Dizer algo em polaco e ser percetível é quase tão difícil como alguma vez eu ir correr nos jogos olímpicos.
As dificuldades começam logo à chegada quando o taxista mesmo vendo a morada escrita não sabe onde fica a rua. Inglês não percebe e muito menos o "meu inglês". E foram mais de três voltas ao quarteirão do prédio onde ia ficar pela primeira vez.
A primeira impressão da cidade não é como a imaginava e quando se está mais de três horas no aeroporto bem que se criam expectativas da nova vida que se está a iniciar. Ainda assim a longa ciclovia tenta remediar a ausência de jardins à primeira vista, os prédios pouco ordenados, o ar "industrializado&qu…