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A mostrar mensagens de Agosto, 2015

Chegada

Chegada a Poznan e à espera do tram a única pergunta que coloco é: como vou tirar o preto sujo dos pés?

Verdades de uma noite de verão

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Estão 25°, não corre uma brisa e está uma lua linda e perfeita para uma noite de verão.
Tudo acontece lá fora enquanto eu estou aqui, de pés esticados sobre duas almofadas, na tentativa que eles retomem o seu tamanho normal.
O quarto parece uma sauna e esta minha predilecção por hostéis de quinta dimensão ganha um novo fôlego. Tomara que revejam as medidas da cabine do duche, mas eu nem me atreveria a deixar esse comentário porque ainda dizem que o problema é meu, do tamanho, portanto!
Na minha cabeceira repousa um livro de uma viagem, para as minhas viagens. "Dentro do segredo", de José Luís Peixoto. Mas temo que hoje não lhe pegue.
Caminhei horas debaixo de sol abrasador, com sandálias de 0,10cm como manda a tradição. Não tenho plantas dos pés, tenho carapaças rijas desde o tempo de miúda em que andava sempre descalça.
Andei mais de uma hora dentro de um comboio onde praticamente não se respirava, perdi-me nos autocarros, aventurei-me de táxi, vi as coisas mal paradas com …

Os duendes

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Toda a gente sabe que eu quando conduzo e ando à procura de um sítio não vejo sinalização, seja ela vertical, horizontal ou de qualquer maneira.
Toda a gente sabe que quando ando com um mapa na mão e a olhar para o céu e para o nome das ruas não vejo pessoas, objectos nem, no pior dos casos, cocó de cão.
Toda a gente sabe que em Wroclaw há estatuetas de uma espécie de duendes. Há mais de 150 espalhados pela cidade e, muitos deles, pequenos demais para eu os ver.
Enquanto uns se baixam para fotografar, passam a mão polindo o bronze outros tropeçam e quase caem.
Aposto que descobri o maior número deles que todas as outras pessoas. É que lesionar dois pés não daria muito jeito!




A luz

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Há sempre detalhes que nos salvam os dias. E fazem acreditar que tudo pode cair à nossa volta que há qualquer réstea não sei do quê que nos faz pensar que antes um dia mau que nenhum.



A mala

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Eu chamo-lhe a mala do sótão. Está num péssimo estado assim como o sótão. Sempre que me aventuro em subir até lá penso no dia em que poderei projectar e conseguir algo decente para aquela casa.
A mala tem um interior florido e um autocolante do fabricante brasileiro (que agora mesmo não me lembro). E ali jazem livros, revistas, jornais, fotos, documentos e tralhas, quase todos do meu avô paterno.
Encontrei a caderneta de trabalhador datada de 1939, onde consta o seu registo como “carregador” numa casa de hortícolas (Casa União, no Rio de Janeiro). E cartas dos amigos ou colegas de trabalho escritas já depois do seu regresso à nossa casa.
Como eu gostaria de decifrar este pedaço de história!
E começou assim, na semana de férias em Portugal, o meu desejo (mais profundo que tive até hoje, confesso) de ir ao Brasil para conhecer as ruas onde o meu avô trabalhou. Não sei sequer se terão o mesmo nome. Mas isso cabe-me descobrir e começar por algum lado. O primeiro passo foi dado. Subir ao sótã…

A sopa | Zupa

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Adoro quando as pessoas viajam e importam o melhor do que provam lá fora.


Despertar sem adormecer

São 5:24.
Dormi 30 minutos. Rebolei na cama as horas seguintes.
Não sei se foi das duas chávenas de café que bebi ontem, ou hoje, ou foi há pouco? Ou dos nervos do que há para fazer em tão poucas horas de um dia, dois, todos. Ou é dos sonhos que não tenho quando durmo mas quando estou acordada.
Ou das pessoas em quem penso, ou da corrida à noite que estimula os músculos. Ou dos joelhos que me doem ou das tendinites que me massacram.
Ou dos planos que faço, revejo, anulo e volto a fazer.
E mais duas voltas. E uma bateria descarregada em menos de nada. Três concertos de música clássica sem resultados, enrolar do cabelo e nada ao quadrado.
São 5:34, já tomei o pequeno almoço. O primeiro porque nos dias seguidos às noites de espera é maior a fome. Ainda que menor, face ao desejo de dormir.

#02/08/2015, Depois da morte

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A pizzeria tem um ambiente acolhedor.
O candeeiro está perfeito e a mesa junto à janela.
Eu escrevo enquanto sinto os músculos a latejar depois de um dia a andar sobre a morte. Sim, sobre a morte de mais de um milhão de pessoas.
Auschwitz é esmagador! O nó na garganta começa quando nos apercebemos da dimensão das estruturas e do detalhe preparado para a exterminação.
E ao mesmo tempo que vemos imagens imortalizadas fotograficamente, não tão distantes no tempo quanto isso, estamos ali, naquele lugar tão real que assusta, mói, faz questionar, compressa tudo o de positivo que guardamos da humanidade.


#01/08/2015 O hostel

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Mas quantas nacionalidades cabem nesta cidade?
Tantas quantas as bandeiras que cobrem a parede do hostel Benedictus.
Hostel, esse lugar imundo, povoado de gente que não toma banho (hipsters, na designação moderna) e terrivelmente barato.
E aquela pomba às cinco da manhã, na janela, a pedir com clemência comida?
A única coisa boa é que o desentendimento por causa do check out fez-me conhecer o casal simpático que, entre umas quantas cervejas, contaram histórias das suas viagens e dos caminhos muito antes de se conhecerem. Ele do Canadá, ela Alemã de origem Polaca. Na pele e nos sentidos, o mundo!
E perdi-lhes o rasto já depois de ter chegado ao fim do dia e os seus beliches já estarem ocupados por outros mochileiros.
Ficou a inspiração, da sua história, e a certeza que todos não gostamos de enxotar pombas na madrugada.


No regresso, as ideias da partida

O tempo continua farrusco. Parece Janeiro mas com todas as festas, romarias, eventos e encontros próprios de Agosto.
E enquanto preparo o regresso descobri uma saudade das terras que ainda não vi e que hoje fui seguindo com o dedo no mapa de Portugal e Espanha.

Pergunto-me se algum dia terei tempo e oportunidade de conhecer todos esses lugares. E também de fazer um regresso via caminho de Santiago. Não me sai esta ideia da cabeça.





#01/08/2015 As notas, os rapazes e as estátuas

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São cinco notas aquelas que o homem toca no trompete em cada uma das janelas da torre da igreja e cá em baixo apenas o Adam não reage, imortalizado que está, na grande estátua.
A ironia é que à sua volta muitos vivem daquilo que ele nunca ousou ser: homem estátua. Há os mais originais, os menos estáticos e os que pregam sustos às pessoas.
E há esta rua que nos oferece uma vista fabulosa para a igreja. Florianska. Agora mesmo passa um grupo de rapazes em que um deles vai vestido de "blond girl" mas com pouco glamour. Augura-se uma noite de farra, provavelmente das últimas enquanto rapaz solteiro. E é aqui que o turismo na Europa desafina. E muito!


#01/08/015 A gosto

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Ratuszowa - restaurante.
Podia ter escolhido milhentos lugares. A cidade desdobra-se em cafés, esplanadas, restaurantes, gelatarias e cada rua tem uma atmosfera incrível. A minha vontade é não parar!! Sobrevoar a cidade e, se o pudesse fazer, usar o gigante balão de ar quente que repousa junto ao rio, voltado para o castelo.
Mas, escolhi esta esplanada porque agora há um palco aqui perto com danças e a música vem até aqui, disfarçando o gralhar da multidão naquela que é a praça mais larga da Europa.
As charretes continuam em círculo com os cavalos engalanados e eu escrevo enquanto bebo a enésima cerveja por estas bandas.
O almoço foi duas "rosquilhas" gigantes de pão que por aqui se vendem em pequenos carrinhos dispersos pela cidade. É apenas pão mas é o suficiente tendo em conta que poderia viver apenas com isso.
Não sei que tranquilidade é esta que sinto quando viajo sozinha mas que é uma sensação boa é. Não lhe chamaria viajar, mas antes passear porque de outro modo impli…

As pombas

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Esta era eu a provar uma das especialidades Polacas (Zapiekanki) até vir um bando de pombas.
E foi aqui que a dúvida se instalou - pombas ou pombos? Para mim pombas, talvez porque exista a pomba da paz e não o pombo.
Mas estas, donas e senhoras da praça do bairro judeu, não traziam paz mas muita luta para tentar defender um pedaço de pão que, em boa verdade, deu para mim e para elas.