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A mostrar mensagens de Julho, 2014

Pronúncia do Norte

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Não é apenas a pronúncia. São as cores, os cheiros, as pessoas, as vivências, as histórias do meu afilhado, as brincadeiras, os momentos, os campos, a praia, a comida, os lugares, as memórias, a infância e uma vida. Ali mesmo, em cada lugar, mesmo quando nos sentimos sós, ou quando estamos rodeados da família e dos amigos. É o lugar do coração, um porto de abrigo que acalma o vazio, que me embala sempre. E cada vez que me sento em frente a este mar penso em todas as marés. De todos estes anos.

Viagem

Quilómetros de reflexão, de silêncio, de olhar vago para a paisagem que se repete, que já nada de novo acrescenta.
Assim como o ping pong de palavras que, por vezes, fere muito mais do que o silêncio imposto.

Amizade

Decorreram 10 anos e foi como se tivesse sido ontem, à conversa, numa qualquer esplanada.
Gosto de reencontros assim, inesperados com o seu quê de programados, selados por um abraço desajeitado e por muita conversa sem medida. E voei no tempo, nos lugares que foram nossos, nas pessoas que nos eram comuns, nas vivências e nos afetos.
E continuas igual, na tua diferença e em tudo o que preencheu nestes anos que nos separaram. Tens as tuas histórias e eu tenho as minhas. Sempre longe mas afinal aqui tão perto.

Maria

És linda, tens um sorriso que desarma, uns olhos de cor ainda indefinida mas que traçam as feições do teu pai. E descobres aos poucos um admirável mundo, as tuas mãos, as pontas dos dedos, as cores do boneco que faço tilintar. Agora dormes num silêncio cortado por ti mesma, a chuchar no dedo sofregamente. E de minuto a minuto entro no quarto para te ver porque, embora não seja novata nestas lides, gosto de te ver de braços estendidos e respiração profunda. Sejas bem vinda, Maria.

Luz

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Eu vou continuar a admirar esta luz, o momento em que a noite e o dia se cruzam e há partida e chegada. Vou continuar a deslumbrar-me com as cores do céu, a distrair-me na condução com a lua imensa que corta a penumbra e se esconde entre as árvores. Vou continuar a desejar que os dias sejam sempre assim longos, com luz de verão.

Espera

Naquele momento em que atravesso a passadeira, espero pelo elevador e faço uma revisão de tudo o que sou até aqui. Sem filtros, sem parêntises, sem objetivas.
E por mais que repita este processo os nervos não diminuem e na volta é um vazio e uma sensação de tempo falhado.
Porque não há maior derrota do que sermos vencidos por nós próprios.