Banalidades...o tudo e o nada que elas contêm...histórias, sonhos, desilusões, verdades, opiniões, mentiras, ilusões, devaneios, virtudes, catástrofes, alegrias, medos e tristezas...o pouco e o muito, o fácil e o difícil...TUDO!
Carnaval
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Comparo um pouco o Carnaval com as campanhas políticas...
Ela praticamente tinha tudo. A clareza das coisas, sobretudo isso. Mas não percebia bem aquele desconforto diário, um peso brutal sobre a cabeça, sobre os ombros. Não era físico, vinha de dentro. E depois tudo à volta era um quadro de Nery, esmagador em padrão. No trabalho, entre os amigos e família, a rua, os feeds do mundo. Tudo deveria exceder tudo, ser o superlativo da beleza, do profissionalismo, da vida social, do empoderamento. E o corrector a insistir com o empacotamento. Se calhar, é isso. Rebobinar as virtudes dos magos e dos que magoam também. E ela, ali, de janela aberta a fumar a vida, concentrada naquilo que é ser apenas. Existir. O declínio em pessoa. Sem conseguir perceber o que realmente lhe fez estar horas na janela do último andar, à noite, a pensar no que fazer a seguir. Como tirar aquele saco plástico dos galhos da árvore, que há semanas luta contra o vento? [ #mulher ]
A manhã cresce quente como as meias de leite que se servem nas esplanadas. A rua é um reboliço, babilónia sem um único bom dia ou um foda-se. Não sei em que país estou, mas é suja a rua e a minha fobia de caminhar em passeios sob varandas aumenta à medida que caem mais pingos não sei do quê. Tudo é uma grande mixórdia. De gente, de cheiros e de ruídos. A calçada está suja, há lixo, pombos atordoados, cheira a mijo. Não há nada mais universal que o cheiro a mijo encardido. Os T0 em tendas nas soleiras dos prédios não têm cartazes remax. Velhos, novos, drogados e gente limpa que sorri para as mortalhas. Estou numa passadeira, o sol queima e ela diz-me bom dia com a graça de uma canção de Tom Jobim. Estão a fazer um estudo sobre Mãe-Deus, pergunta-me se conheço e eu digo-lhe que tudo que sei sobre Deus cabe no papel de mãe. Agradeço e sigo ainda com sinal vermelho.
“ -Afinal, talvez não seja assim tão mau. Há infâncias que se devem esquecer, infâncias das quais é preciso recuperar.” Há um par de citações que gostaria de me lembrar. No momento em que as oiço penso sempre que depois me lembro mas nem passaram duas horas e já não me recordo o que foi dito ali, à média luz, com o som do piano e da guitarra a embalar aquela história de Momom. Há um certo descontrolo nisto, eu diria. Esta semana fui ao cinema ao ar livre porque tinha visto na semana anterior o trailer do filme seguinte e pareceu-me interessante. Passaram dez minutos do filme e finalmente tive certezas que já o tinha visto. Mas não tive coragem de me levantar porque, na verdade, cada cena era uma espécie de puzzle incompleto.
carnaval... eu nunca achei piada ao carnaval... mas este ano vou aproveitar uma festa de carnaval para me divertir com os meus amigos... ;)
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