Não importa a varanda em que se está

A ponte desmoronava, o caos instalava-se naquela cidade de terra seca e gretada e as varandas em frente iriam cair não tardava. Passava, assim, um sismo que nos mataria a todos. E eu estava imóvel numa das casas com essas varandas quando acordei às  07:12. Do outro lado do mundo, chega uma mensagem. De Nampula, mais precisamente. Ainda meia acordada, meia a dormir pesquiso onde é exactamente a cidade onde está a A. e penso nas horas que já leva de viagem e nas que ainda faltam para chegar a Nacala.
Despedimo-nos com os contrastes. Do pequeno almoço com pastel de nata num prédio com sortes divididas. Falamos em mundos diferentes e volto-me ainda para tentar adormecer novamente. Mesmo sabendo que se retomar o sonho do sismo, não importa em qual das varandas eu esteja. A dos pobres ou dos ricos. Morre-se na mesma.

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