Albertino, o padre rock star
O Albertino apanha-me nas torres, de mão a segurar o olho esquerdo, numa versão de fazer inveja ao próprio Camões.
- espero que não seja grave - diz-me.
Depois fala do tempo, da aplicação que nos guia por entre ruas que desconheço, das senhoras que às vezes se irritam. Irritam-se muito, cada vez mais.
O Albertino tem os cabelos brancos penteados eximiamente. É um homem de sorriso fácil e rugas marcadas. Veste um blusão de pele que faz dele o meu rock star das quatro da tarde. É o Albertino que eu gostaria de encontrar, aos sessenta, numa dancetaria daquelas que ainda existem. O Albertino sabe dançar, não tenho qualquer dúvida.
Diz-me que, dentro do carro, é motorista, conselheiro, psicólogo, juíz e padre.
- padre? - pergunto eu.
- sim, sim, que isto às vezes é um confessionário!
Chegamos. O vento força a porta, eu agradeço e saio, não sem antes dizer:
- sabe, Albertino, às vezes também me irrito. Demasiadas vezes. Cada vez mais.
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