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Da memória...

Eras uma pirralha pequena que saltitava em cima da cama da avó (tua bisavó), com uns cabelitos loiros caídos em cachos de caracóis. A avó adorava-te. Herdas-te o seu nome. Lembro-me dessas tardes de domingo em que atravessava os campos com a minha mãe para irmos onde toda a família se juntava. E como tudo rapidamente se perdeu. Lembro-me de ti na semana que passava todos os anos contigo por altura da festa em Setembro. Lembro-me do salto que deste, como cresceste... E agora mesmo não tenho palavras para gravar num pedaço de tecido que irás agitar um dia destes. Ainda assim, perco-me nas minhas recuperações da memória. E fico a pensar nas pessoas, nas caras que já não me lembro, nos lugares.
Quero apenas esmagar o silêncio.... "Terror de te amar num sítio tão frágil como o mundo Mal de te amar neste lugar de imperfeição Onde tudo nos quebra e emudece Onde tudo nos mente e nos separa". "Chamo-Te porque tudo está ainda no princípio E suportar é o tempo mais comprido. Peço-Te que venhas e me dês a liberdade, Que um só dos teus olhares me purifique e acabe. Há muitas coisas que eu quero ver. Peço-Te que sejas o presente. Peço-Te que inundes tudo. E que o teu reino antes do tempo venha. E se derrame sobre a Terra Em primavera feroz pricipitado". (Sophia de Mello Breyner Andresen)

Do ir...

"Quantas vezes descobri onde deveria ir apenas por partir para um outro lugar". ( Robert Fuller)
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Salto do passadiço para a areia onde os pés se afundam e as sapatilhas pesam... Ao fundo o farol da barra lembra que sempre há um ponto de orientação, um guia...nem tudo é desorientação, deriva, abandono...no mar ou na vida! Gostava tanto que aqui estivesses... Tento abrigar-me do vento, já caminho há uma hora, desde que falei contigo... Entre duas pequenas dunas enfeitadas de junco sento-me e fico a ouvir o som do mar, o mesmo som com que tantas vezes adormeci na minha praia , o mesmo som que sempre tive bem perto de casa, durante anos. Na pequena mochila procuro o creme do sol que não trouxe e tiro a máquina fotográfica que, pelo vistos, está sem bateria... Schifezza! E leio mais um pouco, poisando os olhos no horizonte...vejo um dos mares de que se fala no livro que leio...um mar ou tantos mares? E penso no que estará para breve e confirmo de que não sou de lado nenhum, vou para onde tiver de ir e nunca saberei onde quero estar. Os lugares, as gentes, as obrigações, os dias que p...

Sun; Sole; Soleil; Sonne; Sol;

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Hoje esteve um dia radioso, com uns calorosos 15º e luz, muita luz. E as minhas sardas deram o ar da sua graça... E andei de olhos postos na ria de Aveiro... E a "Borboleta" portou-se lindamente... E cheirou a verão...

*Há dias assim...

Chove mesmo muito. Nem os pombos saem das casotas do velho espigueiro. Vejo e leio as primeiras notícias do dia, ou melhor, do dia anterior. Ler o jornal ao domingo foi a única rotina (boa) que introduzi cá em casa, já lá vão 10 anos. Na Tv recordam-me que falhei a 46ª edição do Festival da Canção e que, pela primeira vez, na história deste Blog não existem argumentos para descrever essa gala de música diferente que, na maioria das vezes, nos permite momentos de verdadeira catarse! Vi e ouvi, portanto, de olhos esbugalhados a balada vencedora (intitulada como a epígrafe), cantada por uma menina de vestido de tule esvoaçante e recordo que quem participa nas votações, na maioria dos casos, são pessoas ligadas à música. E isso é preocupante! E de resto é futebol, futebol, futebol! Tirando isto, as minhas pernas acusam ferrugem, em proporcões semelhantes à que se espalhou pela "Borboleta". Mas nada que não se recupere! *"Há dias assim..." é, há muito, uma rúbrica dest...

Do sentir

"A gente nunca sabe se o que lhe sucede é, em definitivo, bom ou mau." (Eça de Queiroz, in "Os Maias")