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Hoje fui roubada

No hipermercado! Roubada por uma itequeta identificadora de uma caixa de maçãs. Desde que me lembro as maçãs "porta da loja" eram assim chamadas porque eram do meu quintal e porque estavam naquele intermédio entre a ameixoeira branca e a pereira onde se atava a rede para o descanso. Nunca eu pensei que fosse essa a "marca" ou origem das maçãs e por isso foi fácil ter ficado ali especada a olhar para algo que eu pensava que não era universal: as portas da loja.

Havemos

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Havemos de subir a avenida, sem mãos na cintura, nem saias garridas e sem termos o regaço de oiro, mas olhando as esplanadas e as casas das recordações com o mesmo sorriso dessas minhotas engalanadas. Havemos de subir ao santuário e louvar a Santa Luzia, por sinal, advogada das vistas, por ver dali o quão bonito é o rio Lima a chegar ao mar, o Cabedelo dos surfistas e poder comparar numa dessas fotografias a preto e branco, o quanto o mar comeu à terra nestes anos, desde Castelo do Neiva até onde perdemos a vista. Havemos de parar no Natário para lambuzar os dedos com açúcar e canela das Bolas que não vêm de Berlim mas estão ali junto aos biscoitos de Viana e com uma fila à porta. Havemos de ir à Praia do Norte, e esperar por marés que enchem e esvaziam as piscinas do mar. Havemos de sentar-nos na Praça da República e ali trazer à memória o furor de um grupo de bombos, de outras tantas concertinas, cantigas à desgarrada e um balancear de gigantones em dias de romaria. Havemos...

De branco nos pés

Sempre que me proponho a desafiar o corpo numa corrida lembro-me da história das sapatilhas Ritex . Eu corria e participava em provas de desporto escolar, até que a música me deu a volta à cabeça e foram-se as pistas e os campos de lama. Eram elas, as gémeas de Aldreu (ou seriam de Fragoso?), que ganhavam o 1º e o 2º lugar dos corta-mato da escola. Eu ficava com o 3º lugar. Raramente os outros, mas esforçava-me muito e sempre gostei das aulas de educação física. Eu não tinha roupa desportiva ou de marcas e guardo para sempre a vergonha que foi uma prova distrital em que equipas inteiras apareceram em licras a condizer. A nossa equipa era uma mistura de calções de licra desbotados e uma tshirt fosse ela do que fosse. Mas corríamos como se não houvesse amanhã.  Eu tinha uns ténis muito velhos, rotos, com bonecada em cores desbotadas, que já deixavam entrar água e tinham sido comprados na feira. Mas eram muito confortáveis. Até que, numas idas ao pronto a vestir da Tia Engrác...

Eléctrico ou funicular?

Não sei se era um eléctrico ou um funicular. A gare era enorme, em tons de castanho iguais a algumas fachadas de casas que vi na Polónia. Perguntei pelos horários e depois entrei numa espécie de átrio com enormes janelas e estava sol. Mas o local dos bilhetes contrastava com tudo isto. Eram cabines modernas mas cobertas de pó e teias de aranha e lembro-me, já fora, de sentir um certo alívio porque sabia que não tardaria e entrava na carruagem. Não poderia ser um funicular, não me lembro de elevação suficiente, a não ser quando desci umas escadas muito estreitas em fila indiana com pessoas que nunca vi na vida. Há sonhos estranhos mas hoje andei toda a noite a passear e não sei se foi de eléctrico ou funicular.

Óbidos

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A muralha abraça as casas brancas, caiadas com rebordos de azul e, às vezes com bougainvilleas, a trepar ou a descer junto das janelas e portas pitorescas.  Multiplicam-se as lojas com lembranças que retratam em sabores, ou na cerâmica, a vila, a vizinha Lisboa e os arredores que são, no fim de contas, Portugal. As igrejas e as mercearias estão agora forradas a livros e ficaríamos ali horas a desvendar segredos, tantos quantos guardam as pedras da calçada das ruelas que fazem da Vila um labirinto. O Senhor Jesus da Pedra está ao fundo, envergando a tristeza do dia chuvoso e de quem fica sempre do lado de fora da muralha.

A A.

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O meu Natal Polaco chegou hoje. Para me dar essa alegria e magia de abrir uma carta ou caixa vinda pelo correio de verdade. Mas mais do que isso, para me lembrar que há pessoas incríveis que passam pela nossa vida. A A. é uma franzina loira, de gargalhada fácil e estridente. Com ela aprendi que podemos amar sem conhecer. Ela amava Portugal mesmo antes de ter vindo cá, de conhecer as pessoas, a nossa cultura, a nossa comida, a nossa música. A A. falava de Portugal como nenhum de nós, nascido e criado neste país, ousou dizer metade, apenas. E aprendeu as palavras e as expressões numa mistura de português de Portugal e do Brasil que dão uma mistura atrevida a tudo. E digo amor porque ela vai ao detalhe de se emocionar com um padrão típico de azulejo português. Duvido que algum dia a A. deixe o seu país porque é uma mulher ligada às suas raízes e com uma forte ligação à sua família. Mas não duvido de tudo aquilo que ela atenuou quando eu, acabada de chegar ao aeroporto, num país onde n...

#25/12/2015 - A viagem

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A carrinha velha, de matrícula alemã e com duas pranchas de surf foi em direcção à praia. O casal sorriu ao passarem e eu, de mãos dadas, com as sobrinhas desliguei do mundo real. Do mundo das obrigações, do trabalho, da família e dos amigos e naquele instante viajei com aqueles dois. Pela liberdade, pelo companheirismo, pela natureza, pela aventura. Pela viagem em si.