Nunca..

É uma sensação assim meia estranha que senti no sábado passado. Felizmente consigo rir de mim própria e não tardou muito até isso acontecer…
O meu irmão casou no sábado (para espanto de muitos) e dei por mim demasiado pensativa, não pelo acontecimento em si, mas porque sinto que os meus pais ficaram ainda mais sós. Às vezes temos as pessoas ao nosso lado e sentimo-nos sós na mesma, mas não era o caso. Acho que assim dobram-se as preocupações da minha mãe, porque ao estarmos longe pensa ainda mais se estamos bem, o que andaremos a fazer, o que comemos, a que horas nos deitamos, se saímos à noite ou não, etc, etc.
Lembro-me quando estava em Coimbra e um dia à noite a minha mãe me telefonou, era uma 2ª ou uma 5ª feira porque eu ia para o ensaio da Orquestra, e perguntou-me o que fazia aquela hora na rua. Deviam ser 20h30…
Nunca iria perceber que às vezes em Coimbra nos deitávamos para dormir às 8/9 h da manhã.
Nunca iria perceber que a melhor hora para sair era depois da meia-noite.
Nunca iria perceber que às vezes não havia horas para jantar, nem para almoçar.
Nunca deve ter imaginado o bom que era quando tomávamos o pequeno almoço depois de vir da “noite”, juntamente com as pessoas que iam para o trabalho e que iniciavam as suas rotinas diárias…nós preparávamo-nos para dormir e de barriga cheia. Nunca iria perceber que em noites de queima a cidade não dormia, o pequeno almoço era o jantar e a palavra-chave era a folia.
Nunca irá perceber que às vezes mais vale estar longe do que não sabermos estar mais perto.

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