Mar, Sol e...calças quentes!


Tão cedo não devo ver o mar assim...calminho, sem ponta de vento, o que nem é normal na praia do Comboio...sim, na "minha praia". Não havia areia pelo ar e só uma pontinha de brisa a correr, mas muito quente. Tudo isto não é normal, nos últimos tempos, sobretudo desde que o clima virou e nunca mais tivemos verões a sério, com fins de tarde a clamar o eirado e a pedra fresca, comer de janelas abertas e deitarmo-nos com o mesmo calor com que se acorda.
Há muito que não há verões assim...ou, pelo menos, o mês de Agosto ha muito que não nos brinda com esse clima, só mesmo em memória.
Mas estes dias têm-me lembrado esses verões quentes e hoje quando cheguei à praia nada me parecia normal. Estava um mar estupendo, havia montes de gente na areia, depois da montanha de seixos*.Sim, porque a "minha praia" ha muito que foi destruída, há muito que se transformou numa montanha de seixos que, embora incomodem, protegem a vegetação da fúria do mar no Inverno. Nos últimos anos o areal reduziu imenso e a praia de outrora desapareceu. Mas nunca deixou se ser a "nossa praia" porque sempre fomos para ali, nunca tememos o mar, muito embora, agora se torne perigoso nadar quando a maré está cheia.
Mas dizia eu que quando cheguei à praia nada me parecia normal...a começar por mim que vestia umas calças de fato treino grossas como tudo, e que me fizeram suar imenso no caminho de casa para a praia e na vinda nem se fala. Mais parecia o Inverno a chegar à praia e depois claro que o nosso subconsciente começa com aquelas ladaínhas que não merecem crédito algum. "Que gente doida, em finais de Maio e já na praia...e tudo de bikini, e todos a torrar ao sol...e não me cheira a protector, por isso ninguém o está a pôr...e blá, blá, blá...
Quando na verdade eu queria era mesmo ter uns calções vestidos (mas preciso é de tempo para ir à depilação...oh god) e gostava muito que o bikini me servisse e não me importava mesmo nada de estar esparramada ao sol e a furar umas ondas e a intercalar com um longo passeio a pé e depois tirar uma soneca (com protector solar, de preferência).
Sem ligar muito ao subconsciente voltei a subir o passadiço e voltei...esperando que o Agosto me devolva estes dias de praia e de sossego já perdidos.

*No sábado tive o privilégio de ouvir uma história de piratas, sentada nesta montanha de seixos. Segundo o meu afilhado, aquela névoa que se vê no horizonte é "a outra parte de areia", para onde vão os piratas com os seus barcos. Segundo ele vêem de muito longe e depois param ali. Não sei onde ele foi buscar esta história, mas não quis explicar-lhe que essa mesma linha de névoa que vemos não é areia, mas apenas névoa e nuvens. Adorei a história e foi impossível não sorrir, quando na verdade quando era miúda sempre imaginamos que no final da linha do mar havia mesmo terra. Aliás, chegamos a levantar a hipótese que seriam a América (falta saber qual).Quantas histórias imaginávamos e então à noite quando se viam as luzinhas dos barcos como estrelas pousadas no mar, então nessa altura é que a imaginação voava. Por isso é que enquanto ouvio o pequenote fiz mil e uma perguntas sobre essa terra de piratas, mas obtive sempre resposta.

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