Memória(s)

Foi, penso eu, há 16 anos a primeira vez que vim a Lisboa. Foi numa visita da escola e estávamos, na altura, no 6º ano. As viagens de estudo eram um acontecimento memorável para mim. No mínimo duas semanas antes não dormia com a excitação de poder sair de casa e andar uns kms de autocarro. Lembro-me, até, quando na escola primária as idas a Santa Luzia em Viana do Castelo se revestiam do mesmo contentamento e êxtase de quem vai fazer uma viagem ao Egipto ou ao Brasil. Viana é ali ao lado mas eu imaginava que era uma cidade muito longe e a catedral do Eifell deveria fazer-me lembrar algum monumento longínquo que eu nunca tinha visto, nem tão pouco sonhado.
Portanto, a vinda a Lisboa foi qualquer coisa de emocionante pois foi a primeira vez que viajei tão longe.
Aparentemente tudo poderia correr bem com uma turma de anjinhos e crianças bem comportadas e a mão de ferro do padre Justino, professor de História e homem que viria a jurar não mais se enfiar num autocarro com um bando de canalha que nunca tinha saído de casa.
Dormimos num seminário em Alenquer (espaço onde voltaria a pernoitar na viagem do 11ºano), fomos ao cinema a S. Jorge ver o meu primeiro filme no cinema ("Papá para sempre"), fomos aos Jerónimos, Torre de Belém, Museu dos Coches, Aquário Vasco da Gama e Jardim Zoológico de Lisboa. Lembro-me de ter comprado um desdobrável de postais que, ainda hoje guardo, para oferecer ao meu avô. De um lado, as fotos de dia, do outro as fotos nocturnas.
Hoje revisitei o Zoo. Não mudou muita coisa. O elefante da moeda ainda lá está mas está escondido. já não toca a sineta em troca das moedas. Pelo menos pareceu-nos que seria esse o elefante pelo ar velhinho e triste que demonstrou, num recanto escondido de um espaço mal cheiroso e mal tratado. O Zoo pareceu-me decadente em muitas zonas. Algumas zonas muito mal tratadas, pouca vegetação e sombras para os animais, mau cheiro constante sem nunca vermos ninguém a limpar os cocós dos rinocerontes ou de outros animais. Algus tigres aparentavam ter fomeca e deus nos livre das vedaçoes se romperem! Muitas aves mas com poucas vegetações atractivas.
Achei o zoo triste, sem monitores para levar a pequenada a descobrir aquela pequena aldeia. Os vidros da zona dos répteis nunca devem ter sido limpos, mas lá nisso até os percebo. Mas no meio de tudo isto existem os reis e senhores da festa e aqueles que, no fim de contas, salvam a imagem do zoo e nos fazem pensar que, se calhar, até valeu a pena. Os golfinhos e os leões marinhos. São lindos e o espectáculo com os monitores é engraçado!
De resto pergunto-me para onde irá tanto dinheiro dos bilhetes que são caríssimos, quer para adultos, quer para crianças se não vemos um espaço mais bem tratado.
Reclamações à parte foi uma manhã diferente.








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