Viagens #3

O dia misturou-se com a noite.
A minha sina é imprimir mapas e sair de casa sem eles, mas no fim de contas todos os caminhos chegam a algum lugar.
Campolide não é difícil de encontrar e o restaurante trouxe-me à memória os velhos tascos de grelhados de Coimbra, onde os copos são baços, os garfos têm brindes e não há ASAE que ponha fim a tudo isto. Arroz de feijão com o calor que estava foi escolha gourmet.
A minha mãe diz que vivemos no sossego e que Lisboa é confusão. E ela não viu as ruas sujas, o lixo pelo chão, os grafits, a solidão nos olhos dos idosos que se perdem nos bancos dos jardins, os pombos nas praças, as gentes nas ruas, as múltiplas raças, os mendigos pelo chão, as buzinas do trânsito, os prédios altos, os bairros escuros...viu apenas uma parte. Diz-me que o Tejo é muito grande e que o Oceanário é escuro e, aparentemente, uma mina de dinheiro a avaliar pelo preço dos bilhetes.
Gostou do centro de Lisboa, por onde só fomos de passagem. Aprendi que nunca devo seguir autocarros numa cidade, principalmente quando a probabilidade de haverem ruas só para autocarros é muito grande. Não foi muito grave, pronto, um boacadinho, talvez...
Depois foi terminar o dia naquele que é o sítio, por perto, de eleição. E caminhei duas horas de olhos no mar...












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