Kiwis e fim de tarde

1 dia, quase 200 candidaturas, 5 áreas diferentes e eu pensava que já tinha visto tudo mas afinal não! Entre tantos Cv´s, tantas experiências insólitas, tantas carreiras de louvar houve uma qualificação que saltou à vista e...ao riso: curso geral de Kiwicultura. E eu pensava que não havia ciência para fazer trepar a árvore do Kiwi* como se de uma vinha se tratasse. Afinal existem cursos mas...no estrangeiro, claro!
Das inúmeras candidaturas que tenho analisado tem aparecido de tudo e quase que poderia identificar categorias de candidatos. Aquela que salta mais à vista é, pois claro, a categoria das "meninas de shopping" que, basicamente se definem por CV´s muito cor de rosinha, fora do formato de EuroCv, fotos de pose com destaque para a maquilhagem. Resumindo: muita parra e pouca uva! Por outro lado, existem Cv´s que me fazem pensar...pensar que realmente a minha experiência profissional e social é muito piquena. Há muita gente a viajar por esse mundo fora em projectos de voluntariado, muita gente a estudar fora em boas universidades, muita gente com experiência em investigação e iniciativas europeias, muita gente com muitas qualificações e experiência e muita gente a querer mudar para evoluir ou só porque sim.
É incrível ver e analisar estas vidas que se contam em 4 folhas.
De resto, o fim do dia na borboleta soube bem. Ainda vi um pôr do sol imponente que deixou uma barra de cor linda! Amanhã será caminhada. Sabe bem ver este mar, sentir o vento, ver os barquinhos com as luzinhas, passar pelas pessoas na ciclovia, ver os cachorrinhos pretos que estão na vegetação junto ao farol, fugir dos abelhões (que mais parecem helicópteros) junto às acácias.
Hoje fui atenta aos sítios...forte de S. Julião de Oitavos. Assim se chama o forte que noutro dia não soube dizer. Ao fundo o farol do Cabo da Roca já mantém o compasso de luz. Volto para trás já com o dia a diminuir até chegar perto da Boca do Inferno. Por ali, à noite, é um corropio de carros topo de gama. Aliás, nunca na minha vida tinha visto tantos Porsches, Ferraris e outros que tais, como desde que ando por estas bandas. É ver as senhoras sair dos carros, o cheiro dos perfume caros no ar e mais à frente contar as estrelinhas dos Hotéis virados para o mar, de onde saem casais de mão dada e se ouve falar estrangeiro, pois claro!

*A propósito dos Kiwis (e não sabendo bem se já alguma vez escrevi isto)a primeira vez que comi Kiwis foi porque a minha vizinha que estava em França trouxe o dito fruto e ao qual eu apelidei, de imediato, "batatas peludas".

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