To Rome

Ali estava ela (Roma) com a sua grandeza, com edifícios gingantescos, com aquela imponência transportada do tempo de imperadores, com praças, fontes e estátuas magníficas, com a confusão do trânsito, com aquele papaguear italiano que brota das ruas, das esplanadas, das gelatarias, dos cafés simpáticos e dos restaurantes.
Ali estava ela como eu a vi uma única vez, sorvendo cada pedaço de história, cada palmo de terra, quase sabendo que talvez não voltaria. Como a olhei sempre com os olhos para cima porque Roma é assim mesmo, alta para a nossa vista!
E noto como é incrível a minha falta de memória, e cada vez mais me preocupo com isto porque quase não me lembro de coisas que aconteceram há um par de anos, 2004, precisamente.
Tirando isso, o filme é bom por isso mesmo porque viajamos, porque vemos uma cidade despida de efeitos especiais. Ali está Roma e estaria um outra cidade qualquer caso o senhor Woody decida captá-la pela cãmara.
E para além das piadas, do humor, das caricaturas, da história do filme existem lugares.
Gostei desta viagem a Roma, sentada num velho cinema do centro de Lisboa, onde não há cheiro a pipocas e barulhos de palhinhas a sugar bebidas.
E tive saudades de viajar, de apanhar um avião pelo menos uma vez por ano. E pensei que dificilmente o poderei fazer nos próximos tempos porque optei por uma menor qualidade de vida quando decidi mudar de trabalho há cerca de dois anos. Porque arrisquei, porque não deveria ter abdicado de algumas coisas e agora aquilo que mais gostaria de fazer (viajar, conhecer) está longe de ser uma realidade.
E por vezes passamos por momentos nas nossas vidas que nos relvoltamos porque deveríamos ter sido mais audazes.
Mas Roma estava ali com ou sem amor.

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