Canções

Dezanove anos depois voltei ao São Jorge. Se não fiz mal as contas.
Foi ali que, juntamente com uma turma histérica do 6º ano da escola, soube o que era um cinema. Soube que haviam pipocas doces e salgadas. Foi ali que, mergulhados no escuro e enterrados no veludo das cadeiras, sorvemos cada minuto do filme "Papá para sempre"  (não sei o nome original) e soltámos gargalhadas com as parvoíces do Robbin Williams, o que irritou profundamente o nosso Professor de história, o padre Justino.
Lembro-me que essa foi a primeira viagem de estudo em que a maior parte de nós dormiu fora de casa e a primeira vez que visitámos Lisboa. E lembro-me que foi caótico e que ficámos proibidos de fazer viagens de estudo nos anos seguintes.
Este regresso foi também ele para ver um filme inserido no ciclo de documentários. Um filme brasileiro (As Canções). Soberbo!
Uma purga de histórias, fossem elas felizes, tristes, umas de amor, outras de paixão, de ódio, histórias de gente humilde, que carregaram durante a vida algo que depois soltam numa melodia, numa canção, que recordam no seu próprio trautear. Canções associadas a histórias dramáticas que fazem as emoções saltar para a tela: o choro impulsivo, o sorriso, o silêncio, o olhar vago e distante, a gargalhada, os lábios trémulos e os olhos cheios de água. Foram 18 personagens e ao que parece terão sido filmadas 42.
Uma ideia genial que me deixou a pensar na minha história, nessa que trago comigo e na música que entoaria (desafinada, de certeza) em frente a uma câmara e aos olhos do autor do documentário.
A canção, não a tenho, tenho várias mas não saberia os versos de nenhuma delas. Mas sempre que as oiço tenho aquela vertigem interior, da história, dos momentos, do que levamos para a frente preso ao passado.

"Viens, fais la fête, viens dancer toujours célébrer l'amour (...)"
(La fête, Rodrigo Leão)

"Oh! Let me me hold your hand (...)"
(Happiness, Rodrigo Leão)

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