Reparações

Vai para quatro anos que estou nesta casa e há coisas que irão permanecer na mesma até eu sair daqui.
As paredes cheias de pregos, preguinhos e colantes (não consigo sequer imaginar isto com a decoração que por aqui existiu. Aliás, há locais em que só um acrobata é que conseguiria colocar lá um prego).
O balde do lixo. Ou melhor a tampa do balde do lixo que não é fixa e que sempre que eu abro a porta do armário cai para fora.
O quadro elétrico com personalidade e que tantas vezes decide disparar por altura de férias e fins de semana prolongados para que eu regresse e comece logo pela limpeza do frigorífico.
O cheiro a esgoto que às vezes vem da máquina de lavar, ou do lava loiça ou do bidé.
Os sofás com ar manhoso e cheios de remendos que, supostamente, deveriam ter umas capas e até hoje nunca as comprei.
Uma cascata viva na parede da sala, vinda do andar de cima  e que me permite respirar fungos todos os dias.
Felizmente deitei algumas coisas velhas fora e comprei a mesinha de cabeceira (melhor, três tábuas brutas).
E hoje, quando entro em casa e ligo as luzes, deu-se fogo de artifício. Sim, porque se há ligações elétricas estúpidas é neste casa cujos interruptores nunca funcionam da mesma maneira e para as mesmas lâmpadas. Uma das lâmpadas estoirou literalmente e pela primeira vez pude utilizar o escadote que ainda aqui há dias estive para fotografar e colocar no site famoso da compra e venda.
Há mudanças adiáveis e reparações inevitáveis.

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