Hoje

Faltava apenas uma semana. Até que noutro adeus não tivesses mais vergonha de esconder as lágrimas, o lamento em fôlegos. Nunca o demonstraste antes, e não o tivesse eu visto porque seria sinónimo de que, da tua distância, não haveria nem sequer sinais da doença. Não te vergaste a ela e só por isso resististe mais de quatro anos numa moinha que teria sido fatal para tantos outros.
Não me importam as ciências, os avanços se depois num simples diagnóstico se ditem sentenças. E se para uns valem as auras positivas, a alegria de viver, para outros mais do que isso não basta porque não há máteria que resista.
Fomos erros, discussões, palavras ditas e omissas, mas também revelação. Mas soubeste, de forma serena, valorizar o sorriso dos netos e de quem nunca te largou da mão.
E sim, tinhas um humor fantástico e acho que isso herdamos de ti, pai!

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