Do quanto eu gosto de Pretzel

O glamour da chegada. Pessoas de diferentes nacionalidades que chegam de táxi em frente ao edifício geométrico dourado. Há, em cada uma das duas portas, cestos forrados com paninhos vermelhos e com pretzel.
Ainda me ocorreu meter dois à mochila para roer durante o concerto mas, hesitei, até porque para violino, eu espero um concerto leve e com dinâmicas sem fugir ao piano.
Já dentro, bebe-se champanhe e eu pergunto-me quanto custará um flute sabendo o preço de um café em Berlim.
Procuro qual a porta de entrada para a sala que em poucos minutos me devolveria uma figura diferente das salas de espectáculos onde já entrei.
E que inveja não estar nos lugares que ficam virados para o maestro. Talvez ali pudesse sentir mais a vida que existe para além de toda aquela perfeição de som com que fomos brindados.
E naquele violinista, de pé, não houve aquele esmagar do violino no pescoço como se, quanto maior a marca, melhor o resultado. Havia, sim, leveza e elevar o pianíssimo ao extremo de nos fazer suster a respiração.
Talvez "La mer" de Bebussy me tenha sabido a pouco para ver a orquestra com a formação mais completa.
Mas, em duas horas de tanto talento, não haveria nunca lugar para eu pensar no troço de pão salgado.




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