O Americano

Eu estava a jantar na Trattoria Va Bene bem no centro da praça quando reparei nos flashes das fotografias no topo da torre da igreja de Sta. Maria Madalena.
E que vista eles estariam a ter!! O sol a pôr-se, pintando o céu naquelas cores que lembram sempre prolongamento do verão. E estava aquele bafo quente,  das noites quentes dos verões a sério, com grilos à solta.
Ali, no meio do reboliço, não haveria de encontrar os grilos mas fui esticando as horas na esplanada já com o plano de, no dia seguinte, subir à torre para fotografar a cidade daquele ponto.
A ponte dos Penitentes, é assim chamada, e liga duas torres no topo da Igreja. E subir foi uma penitência porque a partir do lance de escadas metálicas o meu corpo descontrolou-se e não fui mais capaz de pôr ordem aos nervos, tremeliques de pernas, suor nas mãos e pavor. Tudo isto sem nunca deixar de subir devagarinho, evitando olhar para as escadas e medir o quanto longe do chão eu já estava. E era o medo de deixar cair o telemóvel, os óculos de sol e às tantas paralisava e pensava que aquela não tinha sido a melhor ideia.
Cruzo-me nas escadas com um bando de miúdos, numa correria que fazia balançar as escadas e eu só pensava em descer também.
Quando cheguei ao topo eu só queria respirar. E que as mãos não me tremessem tanto.
Lá estava ele e mal me viu sorriu, sem perceber o pânico em que eu estava.
"Could you take me a picture?" 
E eu, ainda sem conseguir respirar de alívio, disfarcei a mão trémula,
Mas a foto saiu, o Americano também e eu só estabilizei quando regressei a chão firme.




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