Assim ou assado?

Depois da conversa com o homem da empresa da internet eu percorri toda a rua Glogowska com aquele sentimento de vazio e de escoamento do ser. Como se não fosse de parte nenhuma, nem de mim própria.
Passaram pela minha memória todos os lugares onde vivi, trabalhei ou estudei e todas as pessoas que, de um modo ou de outro, marcaram este meu puzzle de vida.
Eu tento encarar as mudanças sempre de forma positiva e não tenho dúvidas que a capacidade de adaptação depende sempre mais de nós próprios que dos outros, ou mesmo dos sítios.
Não tenho medo de arriscar, de abdicar de condições para conseguir outras mas quando nos desvinculamos de um lugar é sempre doloroso. Pela enorme carga emotiva a que isso nos expõe. Porque não raras as vezes, ponderamos com a razão e a emoção do momento, decisões que temos de tomar agora e lembrámos outras que foram tomadas antes como se, a esta distância, pudessemos imaginar o que teria acontecido se tivesse sido "assim" ou "assado".
Eu geralmente penso sempre no "assado" porque tenho a sensação que erro sempre, um pouco à semelhança quando estou a conduzir num sítio que não conheço e no momento de decidir por onde virar vou sempre pela rua errada.
Pior do que isso é ficar imobilizado à espera que as coisas aconteçam ou que a direcção certa nos chegue.
Eu gosto das ruas desconhecidas, das rotundas e de tudo o que posso conhecer até que encontro o local que procuro.
Não  sei se encontro esse sítio mas até lá vou no "assim" e no "assado".




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