Pimenta

O copo de vinho tinto.
Sal de Formentera, pimenta e vinagre balsámico.
Parece uma introdução a umas férias mas é o milésimo pecado deste ano que vai no segundo mês a transbordar de situações destas.
Por aqui dramatiza-se, perde-se paciência, mas continuo a rir muito. Desta anedota que sou quando me lanço às coisas sem pensar.
Ainda não encontrei as cassetes onde jazia a música de Bowie para rever tudo aquilo de que falaram nestes tempos. A memória dele está nesses objectos que pertenciam à minha irmã e dos quais nem ela guarda memória. Tão estruturante que terá sido a música na sua vida que tudo isso lhe passou ao lado. Eu só me lembro das cassetes com as músicas escritas à mão em letra muito miudinha.
Ainda não fui ao cinema ver os filmes de que todos falam. Ainda não me consegui habituar aos vizinhos barulhentos, aos carros que buzinam e arrancam prego a fundo noite fora.
Ainda não me sinto em casa. Ainda não me habituei a ter que conduzir todos os dias e a não me aborrecer com isso.
Ainda não me habituei a muitas coisas.
Nem mesmo à pimenta que não pica.

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