Para ti, número 1

Que infortúnio esse de, quase sempre, os melhores do mundo não serem guarda-redes!
E ainda que não levantes algum dia essa bota dourada, fizeste, mais uma vez, aumentar o fascínio que tenho por esses que guardam a imensidão em forma de rede.
Aqueles que, no tempo de escola, eram quase sempre os mais feios e gordinhos, os tímidos que na hora de guardar as redes se insurgiam de força, ousadia e confiança e sempre nos faziam acreditar que os bravos eram aqueles que em fracções de segundos tinham que predizer a direcção da bola, velocidades e demonstrar acrobacias vencedoras.

Se algum dia fui “devota” de jogadores foi, quase sempre, de guarda-redes. Ou não me lembre sempre do poster do Baía, em equipamento azul, transformado em altar nos dias de jogo corriam os anos 90.

E se todos aqueles que durante estas últimas semanas avançaram no campo ou te protegeram na rectaguarda merecem hoje o nosso Obrigado, deixa-me que este elogio não vá à trave porque foste confiança e determinação nos momentos em que nos tremiam as pernas, enquanto, ontem, víamos uma França que não nos largava, muito pior que aquela praga de traças. E quanto mais lances existiam em que crianças e adultos tapavam a cara para fazerem maior a pausa do sofrimento, tu eras o gigante das traves.

Uns dizem que foi sorte mas tamanha convicção a defender não se faz apenas dessa doação do que é favorável.
Foi também não ter medo, arriscar e voar sobre todo aquele emaranhado de puxões, zigue-zagues quando se bate um canto, ou um livre ou quando tudo que se coloca em cima do vosso pequeno mundo. Já para não falar quando se bate um penálti, esse momento em que outros tiraram luvas e tu esticaste o corpo ao limite, tanto quando os nossos sonhos aumentaram nessa noite.
E se ontem, em algum minuto, pensaste que serias abafado por um estádio a gritar enquanto ias buscar a bola ao fundo das redes, ainda bem que nos livraste desse mal.

Sabes Rui Patrício, este post não tem quatro semanas mas o que fizeste neste Europeu ficará muito mais tempo nas nossas memórias. E de feio e gordinho tens pouco!


(foto daqui)

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