Aquela manhã de sábado


Era uma manhã de sábado, a chuva começou a cair miudinha ainda eu descia o pequeno caminho na encosta do castelo de Aljezur. Subiria um monte já depois de passar pelo projecto de casas de habitação integradas num qualquer financiamento europeu. Mais à frente começaria a entrar no vale queimado. O negro, o cheiro intenso de fogueira acabada de apagar, a sinalética do trilho destruída, aquela neblina a assentar naqueles resquícios de sobreiros e outras espécies que não escaparam ao inferno que por ali lavrou.
Era uma manhã de sábado e ficou ainda mais triste.
Ainda demorei mais de um ou dois km no meio da destruição, até cruzar a estrada e sair rumo à escarpa que contorna a terra e nos devolve aquele sentido de pequenez tal é a imensidão de água em frente e a rocha, onde estamos.
Só quando desci às pedras negras que faziam a vez da areia é que vi a "Pedra da Agulha", ao fundo. A mesma rocha que se vê da Praia da Arrifana que já ficara para trás.
No cima da escarpa, um jipe, matrícula portuguesa, pranchas de surf e material acondicionado por baixo do veículo. Não parecia estar por ali ninguém. Em baixo, na pequena enseada de areia outro jipe e surfistas em água e em terra.
Já não chovia, apenas aquela neblina densa e fiquei por ali sentada, a trincar uns frutos secos e a ver esse jogo de ondas, as pranchas a rasgar vagas e aquele adágio de mar.
Quando me voltei para seguir caminho e subir toda a falésia, aquela manhã de sábado, pareceu-me um pouco mais feliz.



[Praia de Vale da Figueira // ‎27‎ de ‎julho‎ de ‎2019, ‏‎11:42:20]

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