A F.


A F. tem 55 anos é uma de nós as três que subirá à montanha mas com uma particularidade: a vida da F. é, ela própria, uma montanha. De altos e baixos e com muitos picos, como essa montanha que se ergue diante de nós e que não é russa mas (e ainda bem) Asturiana.
A F. propõe-se completar a rota mesmo sabendo que as suas condições impõem algum (demasiado) risco. Um cancro da mama vencido há cinco anos e agora o diagnóstico no fígado. Mas a F. não resvala no medo, na clausura que uma doença destas lhe poderia impôr. Ela vai, ri, dança, vive até que a dor física nos dias menos bons a fazem moderar essa força vinda não sabemos de onde. Como a força da água que desce a fenda da montanha. Não sabemos de onde vem mas, aos poucos, aproximam-nos da sua nascente. 
A F. não gosta das subidas e, ao pé dela, não direi que levo um dos pés com feridas abertas.
Porque o que a F. leva é maior que tudo o que podemos carregar. Em dor e em alegria. E isso foi a melhor surpresa que a ida à montanha me reservou.


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