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Chegada

Chegada a Poznan e à espera do tram a única pergunta que coloco é: como vou tirar o preto sujo dos pés?

Verdades de uma noite de verão

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Estão 25°, não corre uma brisa e está uma lua linda e perfeita para uma noite de verão. Tudo acontece lá fora enquanto eu estou aqui, de pés esticados sobre duas almofadas, na tentativa que eles retomem o seu tamanho normal. O quarto parece uma sauna e esta minha predilecção por hostéis de quinta dimensão ganha um novo fôlego. Tomara que revejam as medidas da cabine do duche, mas eu nem me atreveria a deixar esse comentário porque ainda dizem que o problema é meu, do tamanho, portanto! Na minha cabeceira repousa um livro de uma viagem, para as minhas viagens. "Dentro do segredo", de José Luís Peixoto. Mas temo que hoje não lhe pegue. Caminhei horas debaixo de sol abrasador, com sandálias de 0,10cm como manda a tradição. Não tenho plantas dos pés, tenho carapaças rijas desde o tempo de miúda em que andava sempre descalça. Andei mais de uma hora dentro de um comboio onde praticamente não se respirava, perdi-me nos autocarros, aventurei-me de táxi, vi as coisas mal paradas ...

Os duendes

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Toda a gente sabe que eu quando conduzo e ando à procura de um sítio não vejo sinalização, seja ela vertical, horizontal ou de qualquer maneira. Toda a gente sabe que quando ando com um mapa na mão e a olhar para o céu e para o nome das ruas não vejo pessoas, objectos nem, no pior dos casos, cocó de cão. Toda a gente sabe que em Wroclaw há estatuetas de uma espécie de duendes. Há mais de 150 espalhados pela cidade e, muitos deles, pequenos demais para eu os ver. Enquanto uns se baixam para fotografar, passam a mão polindo o bronze outros tropeçam e quase caem. Aposto que descobri o maior número deles que todas as outras pessoas. É que lesionar dois pés não daria muito jeito!

A luz

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Há sempre detalhes que nos salvam os dias. E fazem acreditar que tudo pode cair à nossa volta que há qualquer réstea não sei do quê que nos faz pensar que antes um dia mau que nenhum.

A mala

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Eu chamo-lhe a mala do sótão. Está num péssimo estado assim como o sótão. Sempre que me aventuro em subir até lá penso no dia em que poderei projectar e conseguir algo decente para aquela casa. A mala tem um interior florido e um autocolante do fabricante brasileiro (que agora mesmo não me lembro). E ali jazem livros, revistas, jornais, fotos, documentos e tralhas, quase todos do meu avô paterno. Encontrei a caderneta de trabalhador datada de 1939, onde consta o seu registo como “carregador” numa casa de hortícolas (Casa União, no Rio de Janeiro). E cartas dos amigos ou colegas de trabalho escritas já depois do seu regresso à nossa casa. Como eu gostaria de decifrar este pedaço de história! E começou assim, na semana de férias em Portugal, o meu desejo (mais profundo que tive até hoje, confesso) de ir ao Brasil para conhecer as ruas onde o meu avô trabalhou. Não sei sequer se terão o mesmo nome. Mas isso cabe-me descobrir e começar por algum lado. O primeiro pa...

A sopa | Zupa

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Adoro quando as pessoas viajam e importam o melhor do que provam lá fora.

Despertar sem adormecer

São 5:24. Dormi 30 minutos. Rebolei na cama as horas seguintes. Não sei se foi das duas chávenas de café que bebi ontem, ou hoje, ou foi há pouco? Ou dos nervos do que há para fazer em tão poucas horas de um dia, dois, todos. Ou é dos sonhos que não tenho quando durmo mas quando estou acordada. Ou das pessoas em quem penso, ou da corrida à noite que estimula os músculos. Ou dos joelhos que me doem ou das tendinites que me massacram. Ou dos planos que faço, revejo, anulo e volto a fazer. E mais duas voltas. E uma bateria descarregada em menos de nada. Três concertos de música clássica sem resultados, enrolar do cabelo e nada ao quadrado. São 5:34, já tomei o pequeno almoço. O primeiro porque nos dias seguidos às noites de espera é maior a fome. Ainda que menor, face ao desejo de dormir.