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Podem passar muitos anos

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Não sei ao certo quantos anos passaram desde a última vez que fui às Feiras Novas, em Ponte de Lima. Podiam ter passado 20 ou 30 anos. A sensação seria a mesma. A de sentir que uma Vila não abraça todos aqueles quanto gostariam de lhe sentir a pulsação nas rusgas de concertina, no cortejo etnográfico com miúdos e graúdos, nas tigelas de vinho verde tinto pingão, nos petiscos dos tascos que podem ser servir o presunto com as mesmas mãos que se recebe o dinheiro, no canto esganiçado das minhotas em roda dos homens de bigode farto, em cantorias malandras que só cessam quando estoira o fogo no rio, a rebentar de esperança na promessa do ano que virá. Na "rampinha" que estende a noite até ao sol do novo dia, na ponte romana engalanada de luz e naquele magote de gente que se empurra ruas fora. Podem passar muitos mais anos sem que eu saiba a que santo ou santa é a romaria mas haverá sempre o Minho a brotar dos corações dos que por lá passam. Incluído o meu. ...

Caniçada parte II

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Vi-te num dia de Inverno, desde a pousada de S. Bento, escondida num manto de nevoeiro e chuva morrinhenta. Era um domingo de inverno e eu desejei que fosse verão para te voltar a ver e saber de que cores pintarias este coração do Minho. Não chega uma vista só ou um retrato para abarcar toda a beleza do verde da serra e da albufeira onde o Rio Cávado parece querer prolongar a sua passagem. Não chegam três dias ou uma semana para lá ir porque é um lugar que vai ser cobrar um regresso.

Nos regressos

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Acontece quando volto aos sítios depois de muito tempo. Aquela ansiedade de ver e rever tudo, como se não fosse acordar amanhã. Acontece nos sítios onde vivi, onde conheço mais sobre os lugares. Foi assim hoje. Sintra, Galamares, Colares, Mucifal, Praia Grande, Praia das Maças. A Várzea. Toda aquela rendição à Serra, com o Castelo mais visível do que nunca. E ia no IC19 a pensar que parecem que existem mais prédios, mais casas, a Serra está mais despida mas não há sensação que valha aquela que sinto quando desço até Colares, para ir até à Praia Grande ou Praia das Maças. Já o fiz de carro, bicicleta e até a pé. E em nenhum outro sítio tenho essa sensação de que estou num lugar saído de um livro, com a certeza que aquele é um lugar que desemboca na praia. Não sei se é do verde com as cúpulas dos palacetes, do pinhal com as casas de veraneio, do pequeno eléctrico. Mas há lugares que pedem sempre mais regressos.

Sem imagens, sem palavras

Juro por todos os dias da minha vida que sempre me queixar do que vai sucedendo de menos bom nos meus dias vou pensar em todos os "meninos de Aleppo". Nós não temos problemas temos é uma humanidade reles!

#19/07/2016 - os que falham

Ainda não acredito. Nunca acreditamos.  Porque nunca conhecemos verdadeiramente o Eu de cada um dos que nos rodeiam. O nosso também. Uns dirão cobardia, embrulhada na surpresa, nas interrogações, no desmontar de um puzzle que nunca ficará completo porque grande parte das peças partem com aqueles que nos deixam por opção. E eu talvez seja a favor dos que partem por opção, seja por desalento, doença, revolta ou rasgo de loucura. Que sejamos nós a decidir até ao último momento!  Por mais que custe ao egoísmo dos que ficam para trás. Mesmo dos mais queridos, dos que sofrerão com a perda, com a ausência, com a saudade. Dos que falharam também. Porque não foram capazes de resgatar para a vida aqueles que procuram a morte. Em cada dia. Todos os dias. À nossa vista. À vista dos que agora se perguntam "Porquê?".  Todos falhamos, portanto!  Os que vão e os que ficam.

As medas

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Vi as medas de palha no percurso entre Loureda e Sistelo, na Ecovia de Arcos de Valdevez. No braseiro das encostas ali repousavam elas, ora com aspecto de terem sido formadas há pouco tempo, ou com aquela palha que denuncia terem passado mais do que um inverno. Foi então que veio à memória o episódio do pé torcido quando subia a meda para a descer a escorregar. O pé mal pousado, o entorse, duas semanas a esconder o sucedido e um pé sem tornozelo. A possibilidade de ir a um "endireita" fez-me nunca mais pensar em subir a uma meda de palha. Até ao domingo passado.

Para ti, número 1

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Que infortúnio esse de, quase sempre, os melhores do mundo não serem guarda-redes! E ainda que não levantes algum dia essa bota dourada, fizeste, mais uma vez, aumentar o fascínio que tenho por esses que guardam a imensidão em forma de rede. Aqueles que, no tempo de escola, eram quase sempre os mais feios e gordinhos, os tímidos que na hora de guardar as redes se insurgiam de força, ousadia e confiança e sempre nos faziam acreditar que os bravos eram aqueles que em fracções de segundos tinham que predizer a direcção da bola, velocidades e demonstrar acrobacias vencedoras. Se algum dia fui “devota” de jogadores foi, quase sempre, de guarda-redes. Ou não me lembre sempre do poster do Baía, em equipamento azul, transformado em altar nos dias de jogo corriam os anos 90. E se todos aqueles que durante estas últimas semanas avançaram no campo ou te protegeram na rectaguarda merecem hoje o nosso Obrigado, deixa-me que este elogio não vá à trave porque foste confiança e determin...