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No fim do dia

Nos dias em que me sinto melhor quando saio do trabalho muito tarde é quando posso ver a lua. E bem redonda e luminosa. Porque as chatices podem ser muitas mas não me canso de admirar essa imagem e procurar a grande roda luminosa por entre as árvores e ver as sombras que cria no caminho. Finalmente há algo mais do que nevoeiro cerrado, chuva, vento tempestuoso.

Depois de ontem

Acho que até os dedos dos pés me doem. Depois de acordar com a chuva forte lá fora tentar sair da cama foi um momento de ginástica impressionante. Não há um músculo do meu corpo que não doa, as nódoas negras são mais que muitas e uma vez mais sou confrontada com a realidade de me sentir uma velha entrevada porque, simplesmente, não me mexo durante todos os dias da semana. Bastou um dia na serra a transportar ramos, madeira, a varrer, a limpar tudo o que o mau tempo destruiu e hoje estou dorida dos pés à cabeça. Mas o trabalho valeu a pena e as zonas com intervenção ficaram com resultados bem à vista. E foi espantoso como as pessoas responderam em massa, a motivação delas para participarem e ajudarem numa tarefa que a tantos indignou mas que para muitos era algo que nunca poderia passar-lhe ao lado. As pessoas identificam-se com lugares, sentem seus os sítios de que gostam e dos quais mantêm proximidade. E vi isso ontem porque as pessoas arregaçaram as mangas e trabalharam sem qual...

De Lisboa... ou de coisas que eu não fazia e agora faço

Perder tempo no trânsito. Dar moeda aos arrumadores. Estacionar o carro em zonas proibidas. (Eu não estaciono, eu deixo ao "calhas"). Ligar o GPS do telemóvel (às vezes nem isso resulta). Comer em centros comerciais (e come-se muito mal). Interessar-me pelo nome das ruas, pelos bairros...

Devastador

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O cenário poderia ter sido pior mas o rasto de destruição realçou que a natureza se sobrepõe ao nosso controlo. Amanhã estará tudo pior, árvores arrancadas pela raíz, cabos elétricos tombados, muros destruídos, muitos destroços naturais para limpar e é esperar que tempestades como estas não se repitam mais vezes.

Start

Ontem fui tirar o passaporte e, à parte da brutalidade do preço deste cartão, do bem humorado funcionário da loja do cidadão que não sabia que Esposende ficava no Minho e tão pouco parecia perceber muito de Geografia de Portugal, de ver pessoas despedirem-se dos passaportes em papel e dos inúmeros vistos carimbados comprovando que devem fazer parte de uma minoria portuguesa que conhece mais do que Badajoz e Vigo, pude comprovar que as máquinas que registam a nossa biometria e nos fotografam não foram feitas para ajudarem a sermos reconhecidos no estrangeiro e, muito menos, fora da Europa. É mais certo que contribuam para que sejamos confundidos por alguém de um país de má fama e são uma boa ferramenta para brincar às caricaturas e fazer bonecos. Ou isso, ou expliquem-me como a minha cabeça ficou tão achatada, os olhos parecem ter o dobro do tamanho e qualquer foto de um cadáver numa morgue ficaria mil vezes melhor, com mais cor e vida. E depois de ter o passaporte na mão...

Da mentira

Há muitos Lances por aí, disso não tenho dúvidas. Pessoas respeitáveis, reconhecidas socialmente, tidas como pessoas de bom caráter e de valores humanos. Pessoas comuns, humildes ou até mais arrogantes. Pessoas que conhecemos ou que são completamente incógnitas. Pessoas que, ao contrário do desportista, nunca serão capazes de assumir o erro para si, nem tão pouco perante os outros. Pessoas que dissimulam a verdade, as histórias, os acontecimentos, a realidade porque, aparentemente, consideram que aquilo que fazem é correto. Pesoas que assumem a sua verdade como uma esfera de pureza, de tranquilidade, de orgulho neles próprios onde apenas cabem eles mesmos e todos aqueles que têm o dom da complacência e da capacidade de acreditar e confiar e vivem na escuridão. E não sei como toda esta gente dorme descansada, como não tem escrúpulos ao ponto de dizer uma coisa e fazer outra, como tudo assume uma normalidade mascarada sem ponta de remorsos. E nós mesmos? Onde está a mentira em nó...

Butterfly

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A "borboleta" (bicicleta) está cheia de ferrugem nas rodas. E eu também. Depois de muitos passeios por Gaia, Porto e arredores ficou deitada na arrecadação à espera que eu tenha novamente vontade de pedalar. E com todos os atropelos já perdi uma pequena peça da roda da frente que preciso mesmo de substituir. E hoje, tentanto inverter a vontade de ficar apenas no silêncio e no sofá, saí porta fora e levei a bicicleta. De manhã enfrentei a ventania junto ao mar que me impediu de fazer o meu passeio habitual, tanto era o vento, acabei por voltar para trás, sem ser preciso pedalar o que me deu mais tempo para saborear a ondulação e agitação do mar e sentir a espuma salgada na cara. À tarde fui à descoberta de Monsanto, talvez a área mais verde de Lisboa. E fiquei surprendida pelos caminhos, pelos trilhos entre as árvores, pelo anfiteatro Keil com vista para o Tejo, pelos caminhos com lama que deixaram a bicicleta num estado lastimável. Curioso que sempre associei Mons...